Natural do Cartaxo, José Tagarro frequenta entre 1920 e 1927 a Escola de Belas-Artes de Lisboa, onde foi discípulo de Columbano e de Carlos Reis. Em 1929 teve oportunidade de visitar a França e estudar algum tempo em Paris.
Na sua curta vida artística, que foi pouco além do período académico, José Tagarro revelou-se sobretudo como desenhista. Os seus desenhos, que têm como temas predominantes o retrato e os tipos rurais, são rigorosos e correctos, com grande poder de síntese.
Na pintura, que não pode desenvolver do mesmo modo, realizou alguns retratos interessantes, embora por vezes um pouco duros na forma de expressão
O artista dedica-se, também, à ilustração de revistas e livros. Colaborou em inúmeras publicações, de onde lhe vinha essencialmente o sustento e onde nem sempre podia dar asas ao seu talento. De entre todas (Ilustração, Civilização, Magazine Bertrand, etc.), aquela em que colaborou com maior assiduidade e interesse pessoal, por se identificar com o seu ideário e com as pessoas que aí se congregavam, foi a Seara Nova.
José Tagarro faz parte da 2ª geração de modernistas e colabora activamente nas manifestações artísticas do seu tempo. Concorre às exposições anuais da SNBA (1927, 1929,1939), apresenta desenhos no II Salão de Outono, organizado pela revista Contemporânea na SNBA (1926) e faz parte da organização dos I e II Salões Independentes (1930 e 1931).
Realiza, ainda, exposições individuais em Lisboa (1928 e 1929) e uma no Porto (1930), na Galeria da Santa Casa da Misericórdia. Depois da sua morte, um grupo de amigos promove uma exposição das suas obras na SNBA (1932) e o SNI institui um prémio de desenho e aguarela com o seu nome (1944).