João Baptista Ribeiro nasce a 5 de Abril de 1790 em Vila Real e morre a 24 de Julho de 1868 no Porto.
Segundo narram os seus biógrafos, cedo se evidenciou a sua vocação para o desenho, nos graffiti a carvão que executava nas paredes da sua terra natal.
Daí a pressão que personagens notáveis como Frei Caetano Brandão e o Morgado de Mateus tenham feito sobre a família, de condição humilde, para que o enviassem para o Porto a fim de fazer a sua aprendizagem na arte de pintar. Assim em 1803 matricula-se na Aula de Debuxo e Desenho da Real Companhia de Agricultura de Vinhas do Alto Douro, onde é aluno de Domingos e Francisco Vieira. Nesse mesmo ano, aquela Aula transita, juntamente com a anterior Aula Náutica, para uma estrutura pedagógica mais ampla, a recém criada Real Academia da Marinha e Comércio, onde durante sete anos tem como professores José Teixeira Barreto, Raimundo Joaquim da Costa e Domingos António de Sequeira, de quem será aluno predilecto.
A sua estreia como artista plástico realiza-se em 1808 nas decorações para a festividade em Acção de Graças pela restauração de Portugal, na Igreja Matriz de Vila Nova de Gaia, mas será no retrato que encontramos o melhor da sua produção “enraizada na formação clássica … marcada por uma certa rigidez herdada de uma visão da Antiguidade Clássica bebida nas teorias de Walkman e Mengs, e na admiração de Poussin e Rafael. Desta espécie de classicismo em segunda mão resulta o exagero da importância do desenho linear, que se torna duro e desgracioso, sem ter a corrigi-lo o contacto directo e pessoal do artista com os longínquos modelos romanos... No entanto mesmo dentro do género retrato, há que distinguir entre a pintura dos retratos oficiais, de encomenda, em que vêm à superfície todos os defeitos do artista... e os que pinta por gosto e desinteressadamente, como é o caso do seu auto-retrato (19 Pin MNSR), ou o retrato de seu pai (1428 Pin MNSR), este sem favor um dos melhores retratos portugueses da primeira metade do século XIX, onde a correcção do desenho se alia a uma cor coerentemente discreta e a uma rigorosa afirmação de carácter. De resto, mesmo entre os retratos oficiais podemos encontrar alguns espécimes de maior qualidade do que outros; é o caso do retrato de D. Miguel (554 Pin CMP/ MNSR) ou o retrato de D. Pedro IV, que preside ao salão de leitura da Biblioteca Municipal do Porto…Mas nem por isso foge a uma característica que é de regra nos retratos de Ribeiro: não há vestígios de o pintor ter alguma vez favorecido ou lisonjeado o retratado..."Esta visceral recusa de embelezamento das figuras que pinta, explicará talvez a menor importância da sua pintura religiosa", de que salientamos o Retábulo da Igreja Matriz de Valongo "de certo modo tratada em moldes idênticos aos que porventura teria utilizado nas alegorias patrióticas de 1808... o que não invalida a sua grande produção neste campo, sem dúvida devido a causas externas ao seu empenhamento pessoal" (Flórido de Vasconcelos, 1990).
Como pintor estimado na corte e Mestre de Desenho e Pintura das Senhoras Infantas, realizará um conjunto de retratos da Família Real, de que são interessantes documentos os desenhos preparatórios da colecção do Museu Nacional de Soares dos Reis representando D. João VI, D. Carlota Joaquina, D. Pedro IV, assim como das Infantas Ana Maria de Jesus, Isabel Maria e Maria da Assunção.
Se as técnicas tradicionais do desenho, da pintura e da miniatura, foram as que mais utilizou na sua obra, será de salientar o seu interesse pela "novas tecnologias" que na época representavam a litografia e a fotografia, retratando entre outros Passos Manuel, Francisco de Almada e Mendonça, a cantora Teresa Távola, e fixando no daguerreótipo a sua própria imagem e a dos amigos, assim como a de o escritor Alexandre Herculano.
Será com o desenho do retrato deste escritor que o veremos estar presente na Exposição Internacional de Paris em 1855.
Esteve também representado na Exposição Internacional de 1865 no Palácio de Cristal do Porto com o referido auto-retrato a óleo (19 Pin MNSR), assim como com vários desenhos.
Durante o Cerco do Porto alistar-se-á como soldado, sendo-lhe entretanto dado baixa, como prémio dos seus méritos, pelo próprio rei D. Pedro IV com quem terá convivido; nesse mesmo ano entregará ao Rei-soldado uma memória onde pugna pelo estabelecimento no Porto de um Museu e uma Biblioteca, de cuja organização é encarregado no ano seguinte.
Será Director do Museu Portuense de Pinturas e Estampas até 1836, publicando sobre esta sua actividade a Exposição Histórica da Creação do Museo Portuense com documentos para servir à História das Bellas Artes em Portugal e à do Cerco do Porto (1838), elaborando também neste âmbito os Estatutos da "Associação Portuense dos Artistas de Pintura, Escultura e Arquitectura", que funcionava junto ao museu.
A sua actividade pedagógica será longa, iniciando-se no ano seguinte ao ter terminado os estudos (1811), com a nomeação de lente substituto da cadeira de Desenho, passando a lente proprietário em 1833, e a Director da Academia de Marinha e Comércio em 1836.
As reformas do ensino, ocorridas em 1836, levarão à criação da Academia Politécnica do Porto, e a reestruturação do ensino das Belas-Artes concluir-se-á com a criação da Real Academia de Belas-Artes de Lisboa e da Academia Portuense de Belas-Artes. Nomeado professor de desenho histórico e director desta última, desiste destes lugares a favor do Director da Academia Politécnica, onde será professor da cadeira de Desenho quase até ao final da sua vida (1866).
Foi Comendador da Ordem da Conceição de Vila Viçosa (1824), Cavaleiro da Ordem de Cristo (1837), e Conselheiro de Estado (1853).