Neste notável auto-retrato, um dos vários que pintou ao longo da vida, Aurélia de Sousa examina o seu próprio rosto com uma lucidez perturbadora. A expressão intensa do olhar é reforçada pelo padrão geométrico do vestido, medalhão e casaco. A absoluta frontalidade, a simetria, sublinhada pela linha vertical que divide o cabelo e continua no nariz e nos lábios, na renda do vestido e no casaco, e o contraste das superfícies de cor, reforçam uma evidente qualidade abstracta anunciadora de modernidade.