22 de Novembro 2001 a 17 de Fevereiro 2002

Os desenhos de Mestres Europeus em colecções portuguesas privadas e públicas são pouco conhecidos e têm sido pouco estudados. Embora não tão vastas como as de outros países europeus, estas colecções contam com obras de especial qualidade realizadas por importantes mestres da arte ocidental, bem como excelentes trabalhos de artistas menos famosos. Esta selecção de 128 desenhos reflecte as qualidades e as fraquezas desse património, no qual os desenhos italianos superam quantitativamente os das outras escolas, à excepção da portuguesa. A intenção da exposição é chamar a atenção dos especialistas e do público interessado, e encorajar posteriores investigações sobre estes ou outros desenhos.
Outro dos objectivos da exposição foi dar a conhecer a um público mais vasto desenhos de autores portugueses. Por essa razão, foi incluído no final um grupo de catorze desenhos de nove artistas activos em Portugal. O mais conhecido é Francisco de Holanda (1517-1584), recordado pelos seus famosos Diálogos de Roma, onde se relatam conversas que o artista manteve com Miguel Ângelo (1475-1564) durante a sua visita a Itália, em 1538. Para além de ser um importante desenhador por direito próprio, Holanda é um dos primeiros grandes coleccionadores em Portugal de desenhos de mestres italianos. Pelo menos dois desenhos da sua considerável colecção permanecem até hoje no país; um deles é a esplêndida Paisagem com Ruínas Romanas de Polidoro de Caravaggio.
Infelizmente, muitos outros artistas portugueses cujos desenhos foram expostos são pouco conhecidos fora de Portugal. Porém, no seu tempo, Francisco Vieira de Mattos, conhecido como Vieira Lusitano, Francisco Vieira, chamado Vieira Portuense e Domingos António Sequeira, alcançaram notoriedade no estrangeiro, especialmente em Inglaterra. Dos três, Sequeira é o mais notável. Foi ele que concebeu e supervisionou a execução da magnífica “Baixela Vitória”, que se encontra na Apsley House, em Londres.
Os artistas italianos, franceses e da Europa do Norte estiveram bem representados na exposição. Os desenhos italianos foram agrupados por secções, começando pelos dos séculos XV e XVI, considerados separadamente dos que pertencem aos séculos XVII e XVIII. Entre os desenhos mais importantes na exposição, contam-se desenhos de Leonardo da Vinci, Correggio, Polidoro de Caravaggio, Algardi, Dürer, Goltzius, Ruisdael, Poussin, Watteau, Boucher e Fragonard. Estes desenhos, juntamente com os dos artistas menos conhecidos, constituem um grupo extraordinariamente interessante e coerente, que reflecte o desenvolvimento da arte europeia desde o Renascimento até ao final do século XVIII e evoca muitos aspectos interessantes da história portuguesa, grande parte da qual tem ligações com a das Ilhas Britânicas.