13 de Dezembro 2001 a 24 de Fevereiro 2002

No Verão de 1915 um jovem casal de Paris, os artistas Sonia e Robert Delaunay, chegou a Portugal. Estabeleceram-se na povoação costeira de Vila do Conde, uma aldeia de pescadores a cerca de vinte quilómetros a norte do Porto. Os Delaunay tinham feito parte do movimento de vanguarda francês e, em Portugal, entraram em contacto com artistas portugueses que estavam muito interessados nas ideias modernistas internacionais. No total, os Delaunay ficaram em Portugal um ano e meio, enquanto a Primeira Grande Guerra arrasava a Europa. Os anos restantes passaram-nos em Espanha.

No entanto, o tempo que passou em Portugal foi o período mais feliz da sua vida, como Sonia, já mais velha, recorda nas suas memórias.
Portugal inspirou-a - a luz atlântica, as cores intensas, e a simples e encantadora vida rural. Toda a sua vida associou Portugal ao sol, à luz e à liberdade. Mais tarde, quando Sonia, juntamente com Robert, recebeu a mais importante encomenda da sua carreira como pintora - desenhar e decorar
o Pavilhão dos Caminhos de Ferro Franceses na Exposição Mundial de 1937 -
- transpôs para esse trabalho as memórias agradáveis que guardava de Portugal.
A estadia de Sonia Delaunay em Portugal foi o ponto de partida de uma exposição sobre esta artista, no ano em que o Porto é Capital Europeia da Cultura. As características que sobressaem mais na sua obra são a luz e a cor, e nesta exposição queremos ilustrar a importância e o significado da inspiração que Portugal representou na obra da artista. Podemos considerar o tempo que ela passou aqui um prelúdio da sua carreira posterior como designer de moda e de tecidos, em Paris. A exposição diz respeito exclusivamente a Sonia e não foca o trabalho de Robert Delaunay. Houve já várias importantes exposições retrospectivas acerca do trabalho de ambos, assim como de cada um individualmente. No caso presente decidimos concentrar-nos neste aspecto particular - e, tal como o vemos - fascinante, da vida de Sónia. No seu trabalho, assim como na sua personalidade, ela conseguiu associar ao seu vanguardismo um sentido comercial. Trouxe a arte para a vida quotidiana,
o que encaixa bem na atitude modernista que tinha como objectivo último iluminar a vida das pessoas. Seguindo o impulso do seu talento e ambição pessoal, Sonia Delaunay fez exactamente isso.
Sonia teve vários anos de grande sucesso profissional à frente da sua Boutique Simultanée e dirigindo o seu atelier de design de tecidos. No entanto foram anos difíceis, agitados e sujeitos a grandes tensões. Em 1930 fechou a sua
loja e durante os anos 30 mudou a tónica do seu trabalho, aceitando outras encomendas de design e pintando mais. Continuou a pintar até ao fim da sua longa vida, em 1979. Esta exposição, no entanto diz respeito à obra de Sonia Delaunay enquanto designer.
Um grande número dos seus desenhos para tecidos foram preservados e são eles o núcleo principal da exposição. Estão expostos tanto desenhos originais como o produto final, isto é, o tecido propriamente dito, e, sempre que possível, estão documentadas as fase s intermédias da sua produção. Como este tecidos eram usados é mostrado com fotografias de moda contemporâneas. Nalguns pontos mais relevantes é estabelecida a relação entre o trabalho de Sonia e o do seu marido, Robert. O catálogo conta a história que está subjacente ao trabalho da artista, complementado assim a exposição.
Portugal foi uma fonte de inspiração para a artista Sonia Delaunay. Com esta exposição que recorda a Portugal a obra viva da artista desejamos de alguma maneira estabelecer uma corrente de inspiração em sentido inverso.

Petra Timmer (Comissária da Exposição)