Henrique Pousão (1859-1884), uma das mais notáveis figuras da pintura portuguesa do século XIX, foi sempre um estudante de belas artes.

Matriculado na Academia Portuense aos treze anos de idade, vem a falecer aos vinte e cinco antes de poder completar os estudos em França e Itália.

A vontade do pai em garantir a preservação de todo o trabalho que produziu reunindo-o e entregando-o ao cuidado da Academia e o reconhecimento, pela instituição, do valor pedagógico e artístico em causa, evitou a dispersão de um corpo artístico completo nas suas várias fases de desenvolvimento. Grande parte dos trabalhos escolares de Henrique Pousão estão datados com dia mês e ano constituindo uma espécie de diário visual que, cruzado com o arquivo documental preservado na Academia, permite acompanhar o dia a dia de um talentoso estudante de artes na cidade do Porto, nas últimas décadas do século XIX.

A reconhecida autonomia e originalidade da obra produzida por Pousão sobretudo nos dois últimos anos a sua vida, encontra neste percurso cuidadosamente documentado pelo próprio artista, as suas raízes e contexto. Acompanhando-o, podemos melhor avaliar não apenas as consequências dos constrangimentos impostos por um sistema de

ensino rígido nas suas imposições e pobre nos meios disponibilizados, mas também o valor das oportunidades criadas pela generosidade atenta de professores e colegas e a sensibilidade de familiares e amigos.

Lúcia Almeida Matos